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Estudo da CBRE aponta arrendamento e reabilitação urbana como a esperança para recuperação do sector



De acordo com o Relatório de Mercado Residencial da CB Richard Ellis, a situação económica do país constitui atualmente uma grande oportunidade para a dinamização do mercado de arrendamento habitacional, não só pela intenção clara do Governo neste sentido, mas também pela dificuldade crescente das famílias se financiarem junto da banca.

A reabilitação urbana, que é fortemente condicionada pelo mercado de arrendamento, terá também uma janela de oportunidade, assumindo uma importância estratégica na recuperação do sector imobiliário, essencial para o crescimento do país e para o repovoamento das cidades.

Neste cenário, está prevista a alteração do quadro legislativo, com vista à simplificação, em geral, dos processos desta natureza.

João Nuno Magalhães, Diretor Geral da CB Richard Ellis Porto e Diretor do Departamento de Residencial afirma “o arrendamento pode e deve ser a solução para o “escoamento” de muitos imóveis que existem em stock, não só na mão de promotores como também nos Bancos. Esta situação tende a aumentar, devido à restrição cada vez maior no acesso ao financiamento bancário, pela diminuição dos rácios de endividamento e aumento dos spreads dos bancos”.

Em termos gerais, apesar de toda a turbulência que se tem atravessado, o estudo evidencia alguma estabilidade no valor dos imóveis em Portugal.

Relativamente ao mercado residencial da cidade de Lisboa, o estudo revela uma descida de 3,4% da oferta disponível no 1º trimestre de 2011 relativamente ao mesmo período de 2010, sendo que cerca 31% desta oferta é composta por fogos de habitação nova.

Na capital, os valores médios pedidos no primeiro trimestre do ano rondaram os 3.000 €/m2 para fogos novos e os 2.350 €/m2 para fogos usados, sendo que a Lapa registou o valor médio mais elevado, à volta dos 3.950 €/m2 para fogos a estrear, seguida do Chiado com 3.600 €/m2. Refira-se contudo o aumento da flexibilidade por parte dos proprietários no valor final de venda.

A cidade do Porto registou um acréscimo na oferta de habitação de cerca de 7% no 1º trimestre de 2011 face ao período homólogo, verificando-se um equilíbrio entre a disponibilidade de fogos novos e usados, com 53% e 47% respectivamente.

No período em análise, os valores médios pedidos rondaram os 1.900 €/m2 para habitação nova e os 1.550 €/m2 para fogos usados. A Foz continua a ser a zona mais atraente da cidade, revelando o valor médio pedido para fogos novos na ordem dos 3.200 €/m2.

O relatório sintetiza ainda os três grandes vectores definidos pelo Governo para o cumprimento dos objetivos expressos nos referidos documentos:

1. Revisão da Lei do Arrendamento Urbano, de forma a criar condições de confiança para os proprietários, assegurando assim um maior equilíbrio entre direitos e deveres de proprietários e arrendatários, dando atenção aos inquilinos socialmente mais vulneráveis;
2. Agilização dos processos de reabilitação urbana;
3. Alteraração dos impostos sobre o património imobiliário de forma a nivelar os incentivos ao arrendamento em detrimento da aquisição de habitação e simultaneamente aumentar a receita dos cofres do Estado.

O mercado aguarda expectante pela implementação destas medidas e pelas respectivas implicações que poderão ter na recuperação do sector imobiliário nacional.

Source: sapo